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Gênero
Teatro de sombras

Tipo
Espetáculo de teatro de animação para sala fechada

Público
Indicado para toda a família

Faixa etária
Indicado para crianças corajosas a partir dos seis anos de idade

Tema
Aventura e suspense inspirado no primeiro livro editado por Monteiro Lobato e no imaginário popular brasileiro.

Duração
Espetáculo 40 minutos
Bate-papo com o público 20 minutos
Total 1 hora

Sinopse
Um aventureiro, em viagem com seu cavalo, é apanhado de surpresa pelo Sacy Pererê. O perneta faz tantas diabruras que o homem cai e perde os sentidos. Acorda no dia seguinte sem nada. Ao chegar a um vilarejo próximo encontra ajuda e consegue descobrir quem era a criatura e como caçá-la. O homem caça o diabinho e prende-o em uma garrafa, obrigando-o a devolver todos os pertences perdidos. Antes de seguir viagem, por um descuido, o aventureiro solta o Sacy, que foge dando uma grande gargalhada.

Concepção
Espetáculo de teatro de animação onde dois sombristas (ator e técnico que possui várias funções durante a criação e a encenação de um espetáculo de teatro de sombras) encenam um causo sobrenatural tipicamente brasileiro.

A história é uma aventura de ação e suspense inspirada em relatos de populares sobre o Saci, organizadas no primeiro livro editado por Monteiro Lobato (1882-1948), em 1918, chamado O Sacy-Pererê: Resultado de um Inquérito. Grafia da época que também é adotada no espetáculo da Cia Teatro Lumbra para caracterizar as origens primitivas do personagem. O livro reúne uma série de depoimentos reunidos por Lobato e é considerado o primeiro livro a tratar da crença no Saci, um dos personagens mais populares do folclore brasileiro. Curiosamente Lobato não assinou a obra como autor, pois seu papel havia sido somente de editor dos textos. Essa pesquisa de Monteiro Lobato sobre o Saci iniciou em 1917, quando propôs aos leitores do "Estadinho", suplemento do jornal O Estado de São Paulo, do qual era colaborador, que enviassem cartas contando tudo o que soubessem ou tivessem ouvido falar sobre o mito do Sacy-Pererê. Especificamente, pedia respostas a três perguntas:

1-Qual a sua concepção pessoal do Saci; como o recebeu na sua infância; de quem recebeu; que papel representou tal crendice na sua vida, etc.
2-Qual a forma atual da crendice na região do país em que o leitor vivia.
3-Que histórias e casos interessantes conhecia a respeito do Saci.

O inquérito recebeu dezenas de respostas, que apresentaram tons variados e muitas traduziam uma nostalgia da infância passada em fazendas do interior de São Paulo e Minas Gerais, outras atribuíam a crença no Saci à ignorância da população rural. Além dos textos, alguns literalmente escritos com o linguajar caipira, o livro ainda possui ilustrações e fotografias de obras que representam a figura lendária do Saci.

A partir da riqueza dessa obra literária surgiu o projeto de pesquisa e montagem do espetáculo em teatro de sombras que obteve o financiamento no edital do FUMPROATE (Fundo Municipal de Apoio à Produção Artística e Cultural de Porto Alegre) no ano de 1999.

A pesquisa de linguagem, a criação da dramaturgia do espetáculo e sua execução duraram dois anos de trabalho. O resultado final dessa pesquisa e produção em artes cênicas apresenta uma encenação de forte impacto audiovisual onde os dois intérpretes utilizam-se da projeção do próprio corpo e da manipulação de silhuetas, objetos e luzes para narrar a história.

A característica principal do espetáculo é a pesquisa da linguagem do teatro de sombras e sua aproximação com a dinâmica cinematográfica. O experimentalismo com a interpretação por meio dos recursos com sombras, a ambientação, a iluminação e a releitura desse personagem tipicamente brasileiro contou com a colaboração de mais de dez artistas e técnicos durante o seu processo. A estreia do espetáculo em Porto Alegre no ano de 2002 iniciou a trajetória de produções premiadas da Cia Teatro Lumbra e a difusão desse gênero no Brasil e no mundo.
 
A cenografia utilitária do espetáculo é composta por dois tripés de bambu de 4 metros de altura que suportam uma cortina suspensa. Essa tela serve de superfície de projeção das onde o público vê surgir as imagens projetadas em sombra e luz dos cenários e personagens.

A estética plástica do espetáculo utiliza referências gráficas do universo rural e folclórico do Brasil interiorano. A luz tem um papel fundamental no conceito da Cia Teatro Lumbra, pois parte do princípio da escuridão como matéria-prima, tanto que algumas cenas são realizadas com luz de vela e lampião, intensificando os climas e atmosferas de suspense da narrativa. Os focos de luz e os efeitos óticos são desenvolvidos com tecnologias alternativas, pesquisadas e fabricadas artesanalmente e usam materiais simples como latas, garrafas de vidro com água, espelhos, projetores antigos, lanternas e outros elementos do cotidiano doméstico.

A trilha sonora tem significado e importância na construção da dramaturgia dessa obra. Por ser um espetáculo sem texto, o conteúdo das letras das canções e a estética sonora da trilha propõe a cada cena uma intensidade dramática e um clima durante a narrativa. Ritmos brasileiros pontuam e sugerem uma forte ligação com as etnias formadoras do Brasil colonial. A pulsação do espetáculo é marcada por instrumentos de corda e percussão. Baldes, jarros de barro, chaleira e outros objetos foram utilizados como instrumentos musicais para alcançar uma unidade estética entre o som e a imagem projetada, resultando em cenas com grande potência audiovisual. As canções e os efeitos sonoros são reproduzidos por meio mecânico, em formato de CD contendo uma única faixa, o que torna a obra musical integrada à mecânica da cena.

Após a encenação ocorre um bate-papo onde o público pode conhecer os mistérios e segredos deste surpreendente e curioso gênero do teatro de animação – o teatro de sombras.

Professores, pais e curiosos, podem solicitar o Guia de Atividades do espetáculo, onde é possível realizar um trabalho de interpretação e atividades com o teatro de sombras em casa ou na sala de aula.

 
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