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Memórias de viagem da Cia Teatro Lumbra, em Pesquisa de Campo, sobre o escritor João Simões Lopes Neto e o conto "A Salamanca do Jarau" - PORTO ALEGRE - PELOTAS - Quaraí - URUGUAIANA


No intuito de investigar a vida de João Simões Lopes Neto e as origens de seu mais famoso conto: A Salamanca do Jarau, a equipe de pesquisa da Cia Teatro Lumbra, composta por Alexandre Fávero (pesquisador, diretor teatral e fotógrafo), Flávio Silveira (ator e cenógrafo) e Roger Motchy (artista plástico e videografista) percorreram mais de 1900 Km de estradas do interior do estado do Rio Grande do Sul em busca de vestígios e pistas que esclarecessem o universo simoniano.




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1º dia - 11 DE FEVEREIRO DE 2004

A expedição partiu de Porto Alegre, às 8 horas e 30 minutos, do horário de verão, com destino a Pelotas, cidade de origem do citado autor.

Na BR 116, na altura dos municípios de Tapes e Camaquã registrou-se a presença de pequenas aldeias de índios da tribo Kaingang. Esses remanescentes de antigas populações autóctones são facilmente identificados pelo artesanato de fibras naturais e pelas pequenas casas de pau fincado, cobertas de lona plástica.

Mais adiante, no município de Cristal, visitamos o Museu General Bento Gonçalves. O museu ocupa uma ampla casa que é a réplica da casa onde viveu esse famoso General Farroupilha. Logo ao lado das dependências do museu é possível verificar os escombros da casa original. O acervo possui animais empalhados, armas antigas, vestuários típicos dos colonizadores que chegaram ao Brasil e outras peças antigas de menor importância. Uma das curiosidades interessantes é um caco de espelho, com a forma do mapa do Rio Grande do Sul e que, segundo o causo, se quebrou quando um funcionário do museu fazia a limpeza, durante um dia santo.

Às 12 horas e 30 minutos a equipe cruzou a ponte de arcos caiados, sobre o Arroio Pelotas, já na entrada da cidade de mesmo nome. Chegando à Praça General Pedro Osório constatamos a presença de um acampamento provisório, de trabalhadores desempregados, reivindicando novas frentes de trabalho ao prefeito do município. Fomos informados que o resultado das negociações havia sido positivo e no dia seguinte os participantes da manifestação desocupariam a praça e retornariam aos seus postos de trabalho.

relógio alemãoSeguimos em direção a casa onde viveu o Capitão João Simões Lopes Neto e que no momento está em fase de reforma e ampliação para sediar o instituto que leva o nome do escritor pelotense. No caminho, ao lado da praça, percorremos os corredores do Mercado Central, já um tanto decadente, com sua espetacular estrutura de ferro vinda da Europa, coberta por teias de aranha e sua belíssima torre, mostrando um relógio alemão.

Mais adiante, em uma esquina, vislumbramos a espetacular Igreja Anglicana, com sua fachada e torre, totalmente coberta por uma içosa trepadeira de folhas muito verdes.



Igreja AnglicanaTrês quadras depois, estávamos enfrente a uma casa, com fachada pintada de branco e uma inscrição no alto que indicava o ano de construção: 1871.

Uma grande placa metálica sinalizava a comunidade sobre o restauro do prédio, as marcas dos patrocinadores do projeto e sua nova finalidade: Instituto João Simões Lopes Neto. Em meio ao ruído dos trabalhadores, comentávamos sobre a importância da iniciativa de restauro, pois sabíamos que era nesta residência que havia sido escrito a obra “Contos Gauchescos”e onde viveu o autor, entre os anos de 1897 a 1907. Os pedreiros, apressados, movimentavam carrinhos com caliça e carpinteiros cortavam peças para os acabamentos do piso e aberturas. No interior pudemos contemplar as belíssimas pinturas das paredes e a reconstrução do forro dos aposentos.

fachada casa JSLN Segundo as informações do chefe de obras, a casa seria entregue no mês de agosto, e contava com um pequeno auditório, ao fundo, incorporado à arquitetura do prédio, uma sala de exposições, na parte da frente, e um tampo de vidro, no piso de madeira, onde seria possível ver um poço, situado no porão e que abastecia a residência de água.



pinturas das paredesTerminada esta rápida visita seguimos ao encontro da produtora Beatriz Araújo, uma das coordenadoras do projeto de restauro e reconhecida profissional da área cultural de Pelotas. No caminho tivemos a oportunidade de conhecer a atual Casa de Cultura de Pelotas, situada no suntuoso Casarão Seis.

Conhecemos algumas peças da residência e a senzala, que ocupava toda a extensão do porão do prédio. Seguimos caminhando pelas calçadas, ricamente revestidas de pisos hidráulicos coloridos, já gastos mas ainda muito vivo de cores e formas. Ao chegarmos a um moderno prédio comercial, encontramos com a Sra Beatriz Araújo, mas, por motivo de compromissos de ambas as partes, e falta de aviso, não foi possível estendermos a conversa com a referida produtora, ficando acertado que, em momento oportuno, retornaríamos a fazer contato sobre nossa pesquisa e a divulgação de nosso projeto de montagem para o espetáculo teatral A Salamanca do Jarau.

Conforme acertado anteriormente, por telefone, seguimos ao encontro de nosso principal contato na cidade de Pelotas, o Sr Mogar Xavier, conhecido bibliófilo e conhecedor de muitos fatos relacionados à vida e obra do Capitão, e que nos foi indicado pela atual presidente do Instituto João Simões Lopes Neto, Sra Paula Mascarenhas. Nosso encontro com esse típico pesquisador simoniano foi dos mais positivos, pois já nos esperava de cuia na mão e com total disponibilidade para uma longa conversa. Como de costume, nossa equipe situou o Sr Mogar no que diz respeito ao interesse de nossa pesquisa. No decorrer da tarde foi-se revelando livros raros, documentos valiosos e curiosidades imprescindíveis sobre o tema simoniano.

Depois de demorado registro videográfico dos documentos, tomamos o rumo da Praia do Laranjal, onde éramos aguardados pelo Sr. Carlos Francisco Sica Diniz, em sua bela residência, na margem do Arroio Pelotas. O Sr. Diniz recebeu-nos cordialmente no trapiche, em frente à casa, onde iniciamos a prosa apresentando nosso modesto álbum fotográfico com imagens dos mais recentes trabalhos teatrais da Cia Teatro Lumbra de Animação.

Enquanto contemplávamos o por-do-sol, a conversa foi tomando o rumo da pesquisa documental, baseada na recente biografia de João Simões Lopes Neto, assinada pelo Sr. Diniz. Foi no interior da residência do citado biógrafo que nos deparamos com outras riquezas simonianas. O Sr. Diniz e o Sr. Mogar revelaram verdadeiras preciosidades neste encontro. Tivemos em mãos a primeira e rara edição de Lendas do Sul, cópias de manuscritos, livros que o Capitão utilizou para criar seus contos e demais documentos de valor inestimável. Foi uma surpreendente aula de história, folclore e dedicação à memória do Capitão. Após alguns cálices de cachaça de ótima qualidade, fomos convidados a conhecer o acervo bibliográfico do Sr. Diniz. Nova surpresa ao constatarmos estantes repletas de edições raras e desconhecidas por nossos curiosos olhos de leitor. Traduções em italiano e japonês dentre outras lindas edições comemorativas de diversos títulos de Simões Lopes. Nosso encontro encerrou, já tarde da noite, com a troca de contatos e o oferecimento da recente e mais completa obra biográfica do Capitão, presenteada e devidamente assinada pelo Sr. Diniz.

No retorno ao centro de Pelotas, combinamos a programação do dia seguinte, com nosso companheiro e cicerone Sr. Mogar.

obra biográfica do CapitãoRumamos ao Balneário do Laranjal, na Laguna dos Patos, por volta da meia noite, onde montamos acampamento próximo a Colônia de Pescadores Z3. Constatamos no vilarejo, a presença de poucos veranistas e movimento de uma pequena escola de samba, provavelmente a ensaiar sua apresentação nos desfiles de rua da cidade. Infelizmente, os poucos locais encontrados para armarmos nossas barracas encontravam-se muito sujos e degradados. O fogo não pode permanecer muito tempo aceso, por falta de lenha nas imediações e nossa estada no balneário ficou resumida em: uma avaliação sobre os trabalhos do dia, algumas músicas no violão e um banho revigorante ao acordarmos.

 

 

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